Educadores sociais do Alfabetiza Belém participam de formação do método “Sim, Eu Posso”

• Atualizado há 2 semanas ago

Com a estratégia de alfabetização embasada na experiência cubana Sim, Eu Posso!, o Movimento Sem Terra (MST) promoveu nesta sexta-feira, 10, o segundo dia de formação de educadores sociais que atuarão no programa Alfabetiza Belém, instituído pela prefeitura em 2021. O encontrou contou com a participação de uma das referências em Educação do Campo, Rafael Villas Boas, da Universidade de Brasília. A atividade se iniciou na quinta-feira, 9, em Mosqueiro, e se encerra neste sábado, 11.

Método – A meta do programa é alfabetizar mais de 11 mil pessoas até 2024 a partir das 120 turmas, sendo 40 delas assistidas pelo MST, por meio do método Sim, Eu Posso, que trabalha com recursos audiovisuais e círculos de cultura, a partir da realidade dos educandos. Este método será utilizado pela primeira vez em Belém, no bairro do Guamá e na região das ilhas, nos distritos de Icoaraci, Mosqueiro e Outeiro. 

Jane Cabral, da Direção Nacional do MST no Pará, afirma que a parceria visa tornar Belém um território livre do analfabetismo, visto que o método Sim, Eu Posso está sendo trabalhado no Brasil desde 2005, com sucesso.

“Já trabalhamos com o método no Ceará, em Minas Gerais e também em São Luís, no Maranhão, onde a gente alfabetizou em 2017 e 2018, mais de 21 mil pessoas. E agora a gente quer contribuir aqui em Belém, para que a cidade supere o analfabetismo, pois a gente sabe, que, na verdade, é um crime contra a humanidade, contra as pessoas, de não saber ler e escrever, porque foi negado a elas essa oportunidade”.

Formação – Durante a atividade, os participantes debateram sobre o tempo de aprender, o reconhecimento do sujeito, os territórios a serem alfabetizados, jogos teatrais e muito mais.

O professor Rafael Vilas Boas, da UNB, fez um apanhado histórico do método Sim, Eu Posso, como estratégia de alfabetização, dentro da Educação Popular, desde Cuba até os primeiros processos de alfabetização no Brasil, além de falar das rádios comunitárias e do teatro do oprimido, como ferramentas de ensino. 

“Ter uma prefeitura de tal importância como Belém, uma capital histórica, do ponto de vista político e cultural, se alçando para erradicar o analfabetismo, tem um significado gigantesco, que pode contagiar outras cidades e governos estaduais, para que essa iniciativa se torne um processo vigoroso, de tal maneira, que possa erradicar os quase 14 milhões de analfabetos no Brasil”, disse o professor.

Rafael Vilas Boas deseja que os futuros grupos de alfabetizadores se apropriem de métodos e técnicas, para desenvolver uma educação social, ou seja, educação popular, que, além de ensinar a ler e escrever, debata as experiências dos indivíduos em seus territórios.

Educadores – Renata de Andrade Santos, 31 anos, é mestranda em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade Federal do Pará, e como moradora do bairro do Guamá, sentiu a necessidade de fazer algo pelo seu bairro.

“Estava com essa vontade só que não sabia por onde começar e, quando conheci a proposta do Alfabetiza Belém, vi que era uma boa oportunidade de começar um trabalho de retorno social para a comunidade em que moro”, comentou Renata, que, durante a formação, fez despertar numa nova forma de pensar a educação.

Códigos linguísticos – O pedagogo José Maria Mendes Andrade, 47 anos, que trabalha há muitos anos como educador social e vai atuar em Icoaraci, ressalta o potencial de Belém como capital da Amazônia, onde a sua história é feita pelos sujeitos que precisam se apropriar dos códigos linguísticos, por meio do acesso à leitura, para dar um melhor significado as suas vidas. 

“Acreditamos que é possível construir uma educação libertadora, considerando sujeitos que fazem a educação no campo, na cidade, nas águas e nas florestas. Esse momento de formação representa mais um espaço para me aperfeiçoar e alimentar uma mística de luta, por uma cidade com territórios livres do analfabetismo”, disse José Maria, que quer mostrar aos moradores as ilhas o seu potencial, por meio da leitura, e que serão capazes de transformar o lugar de moradia, com acesso a políticas públicas, que valorizam o seu modo de vida. 

A programação contou com a presença da secretária municipal de educação, Márcia Bittencourt, que parabenizou os educadores pela iniciativa de fazer parte desta formação, chamada por ela de nova revolução cabana.

Novo tempo – “O Alfabetiza Belém vai estar em todos os lugares da cidade, como feiras, presídios, em lugares que a escola não chega. Muitas pessoas querem, pelo menos, ler a bíblia. Belém é essa cidade, capital cabana, onde já aconteceram muitas revoluções. E agora é esse novo tempo, feito por essas pessoas que quiseram participar deste movimento. Essa formação é uma aula que não se tem na universidade. Quero ver essa totalidade e fazer a nossa capital cabana ser exemplo para este país, pro mundo”, afirmou Márcia Bittencourt.

Texto: Tábita Oliveira

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